"Sábio não é quem leu 150 livros, mas quem conseguiu amar um livro."
06/11/2007 13:39
A OBRA PRIMA DE ÍTALO CALVINO
AS CIDADES INVISÍVEIS
Nem sempre a melhor leitura está nos lançamentos da semana, nem nos dez mais lidos da temporada. Buscar edições anteriores, de livros consagrados é uma recomendação que faço, enfaticamente. Costumo ler dois livros simultaneamente: um da temporada, outro consagrado. Dá um equilibrio razoável na montagem da cabeça.
Esta semana abusei. Li uns três ao mesmo tempo, mas um ficou vibrando: As Cidades Invisíveis, do Italo Calvino. Em artigo que escreví ara a revista URBS, da Associação Viva o Centro, comparei-o às Mil e Uma Noites. Mas no livro de Calvino,o narrador é o próprio Marco Polo, que deseja transmitir ao imperador Kubai Khan a grandeza de seu império. Não consegue fazê-lo a partir das riquezas, nem mesmo das pessoas. Só consegue descrever o império contando como são as suas cidades. Aliás, já para Paul Valéry, no Eupalinos, as duas artes que se comunicam abstrata e inteiramente são apenas a música e a arquitetura. Marco Polo pensa do mesmo jeito. Ele percorre as cidades do reino, todas com nomes femininos, como se percorresse o corpo de uma única mulher. Não descreve o significado das cidades, que vão da memória até a morte, como uma simples metafísica dos símbolos, mas pelo que elas significam na vida de cada cidade.
Há três pensamentos, transmitidos no livro, que seriam suficientes para despertar nossa curiosidade:
Você sabe melhor do que ninguém, sábio Kubai, que jamais se deve confundir uma cidade com o discurso que a descreve .
Cada cidade recebe a forma do deserto a que se opõe.
Os futuros não realizados são apenas ramos do passado: ramos secos.
Mas nós poderíamos grifar todos os pensamentos do livro.
enviada por Jorge da Cunha Lima
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